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Empresas que aboliram avaliações de desempenho anuais: o que aprenderam

Algumas organizações brasileiras eliminaram o ciclo anual de avaliação de desempenho. Os resultados são mistos — e as lições são valiosas para quem está considerando o mesmo caminho.

Por Augusto Cavalcanti · Publicado em 8 de junho de 2025 · Atualizado em 9 de junho de 2025

A avaliação de desempenho anual é uma das práticas mais universais — e mais criticadas — da gestão de pessoas. Pesquisas mostram que a maioria dos colaboradores acha o processo inútil, a maioria dos gestores o considera uma perda de tempo e a maioria dos profissionais de RH reconhece que ele raramente produz as mudanças de comportamento que deveria. E, no entanto, ele persiste em quase todas as grandes organizações.

Algumas empresas brasileiras decidiram testar o que acontece quando ele desaparece. Conversei com profissionais de RH de quatro organizações que eliminaram o ciclo anual de avaliação nos últimos três anos. As experiências são diversas, mas algumas lições se repetem.

O que acontece quando você para

A primeira coisa que acontece, segundo todos os entrevistados, é um período de desorientação. Gestores que dependiam da avaliação anual como único momento formal de feedback ficam sem referência. Colaboradores que esperavam o fim do ano para discutir carreira e remuneração não sabem mais quando ou como essas conversas acontecerão.

"Nos primeiros seis meses, a sensação era de que ninguém sabia o que estava fazendo. Os gestores não sabiam quando dar feedback, os colaboradores não sabiam quando pedir. Precisamos criar uma estrutura nova do zero." — CHRO de empresa de tecnologia, São Paulo

O que substitui

Nenhuma das empresas simplesmente eliminou a avaliação sem substituí-la por algo. As alternativas mais comuns foram: check-ins quinzenais ou mensais entre gestor e colaborador (estruturados, com pauta definida), feedback contínuo registrado em plataforma, e separação explícita entre conversas de desenvolvimento e conversas sobre remuneração.

Essa última mudança — separar desenvolvimento de remuneração — foi citada por todos os entrevistados como a mais impactante. Quando as duas conversas acontecem juntas, a discussão sobre dinheiro domina e o desenvolvimento fica em segundo plano. Quando são separadas, as conversas sobre crescimento tendem a ser mais honestas e mais produtivas.

O que não funciona sem avaliação formal

A principal dificuldade relatada foi a gestão de baixo desempenho. A avaliação anual, por mais imperfeita que seja, cria um registro formal que pode ser usado em processos de desligamento. Sem ela, empresas que precisam demitir por desempenho ficam em posição mais vulnerável do ponto de vista trabalhista — e precisam de processos alternativos de documentação que nem sempre estão prontos.

A conclusão mais honesta que ouvi foi de uma gerente de RH que resumiu assim: "Abolir a avaliação anual não resolve o problema do feedback nas empresas. Ela apenas torna o problema mais visível — e te força a enfrentá-lo de verdade."

Sobre o Autor
Augusto Cavalcanti
Editor e Repórter, Talento BR

Jornalista especializado em gestão de pessoas e organizações. Contato: [email protected]